sábado, 1 de dezembro de 2012

O que gosto de ouvir...

Sááábado!!!! Uhuuuu!!!!
Antes de mais nada: Hoje é aniversário do meu pai: Parabéns Pai! :) (Simples, porém objetivo)
Tive taaanta ideia de coisas para escrever aqui, mas pensei e algumas eu acabei esquecendo e outras eu achei nada a ver. Mas agora, agora mesmo, pensei em colocar uma lista das músicas que eu mais tenho escutado.
Gosto muito de ABBA e qualquer música da época que minha mãe era adolescente e ia nos... Bailes (?), mas ultimamente tenho escutado direto.

ABBA - SOS
ABBA- Does your mother know?
ABBA - So long
THE POLICE - De Do Do Do, De Da Da Da (QUE NOME É ESSE?)
AC/DC - You shock me all night long
JOURNEY - Don't stop believin
BOYS LIKE GIRLS- Heels over head
FOO FIGHTERS - Walk
FOO FIGHTERS - These days
FOO FIGHTERS- Times like these
FOO FIGHTERS - Learn to fly
FOO FIGHTERS - All my life
FOO FIGHTERS - Best of you
CRAZY TOWN - Butterfly
JUANES - Gotas de agua dulce
JUANES - A Dios le pido
JUANES - Volverte a ver
MICHAEL BUBLE - Crazy little thing called love (eu sei que ele nao é o autor, mas na versão dele é mais linda ainda)
MICHAEL BUBLE - Everything
MICHAEL BUBLE - Home
MICHAEL BUBLE - Save the last dance for me
MICHAEL BUBLE - Haven't met you yet

São algumas musiquinhas porque pra colocar todas eu precisaria estar de férias (*-* falta pouco) e sem trabalhos da faculdade.... :)
Só para o blog não ficar muito abandonado :)

Beijos e ótimo fim de semana!!!

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Quando voltamos ao nosso próprio passado remoto...


Faz tempo que comecei a rever uma série que eu vi durante vários anos da minha vida e sempre fez sentido para mim. A série não importa, maaaaas caso a curiosidade seja grande, eis o nome: One Tree Hill. Ela trata da vida de jovens que buscam seu lugar no mundo, na sociedade, mas principalmente: em suas próprias vidas. A busca pelo sonho, o amor não correspondido, os problemas familiares e tudo o que acontece na vida de todos nós.

No meio disso tudo, estava eu, aos meus 16 anos mais ou menos, vivendo quase as mesmas coisas. Aquela idade complicada, que faz questão de deixar um beldade com cara de monstro do Lago Ness. Comigo ela foi beeem mais ingrata... Isso não vem ao caso hahaha. Mas o que quero dizer é que, esse ano (mês passado para ser mais precisa) quando comecei a rever a série parece que minha vida decidiu fazer um pequeno flash back sabe?

Lembrei de tudo o que eu espera da vida naquela época. Tudo o que eu esperava da faculdade, das pessoas, da experiência de morar sozinha, tudo. Revi tudo o que eu vivia em 2007. E descobri que a vida é porrada (como diria meu célebre ex professor de literatura e português que me ensinou apenas fonética e barroco. Além de nos fazer participar de um teatro e no ano seguinte de uma homenagem a Vinicius de Moraes.). Não porrada, porrada, mas é um soquinho vez ou outra.

Descobri que a faculdade é legal. Poder ir ao banheiro sem ter que implorar ao professor é ótimo. Mas que também não é beeem como eu sonhei, obvio, porque se fosse seria bom demais para ser verdade.

As pessoas se dividem em boas ou más. E as más são falsas. Afastei-me delas. Mas das boas quero me aproximar sempre, cada vez mais.

E morar sozinha não é bem um conto de fadas. Quer dizer, é. Tem a bruxa certo? Nesse caso a bruxa é figurativa, mas ela existe haha.

Apesar de diversas coisas não serem boas ou como eu gostaria que fossem, eu aprendo com elas. Com as pessoas más aprendo a não ser como elas, com a faculdade que não é como eu sonhei (porém, sem ser necessariamente muito ruim) eu lembro que a vida é assim. Não é feita de coisas boas simplesmente. E com o fato de morar sozinha eu aprendo a lidar com saudade, com a limpeza e organização da casa, com a comida, contas. Tudo isso nos amadurece.

O engraçado é ver que nem tudo que desejamos da vida nos deixará felizes quando (ou se...) obtivermos. Não que eu esteja infeliz, mas é bem como planejei... E essas situações de ver fotos antigas, ouvir um CD antigo (quem nunca achou um CD gravado em 2009 com músicas ótimas... E outras nem tão boas assim... E que nos lembram da pessoa que costumávamos ser.), assistir a um filme que vimos em 2005 com sei lá quem (eu assisti Cruzada um dia no cinema e foi uma experiência péssima, mas isso é assunto para outro dia, época, século, milênio...). Gosto dessas coisas de ‘regressão’ de nossa própria vida. Ainda mais com uma série tão boa quanto essa. Não me julguem, eu amo tá?

Não reli para corrigir erros que é pra não perder o sentido disso tudo. Se eu reler agora verei que faltaram dados, sobraram outras informações, enfim.... Prefiro deixar cru, desse jeito, mesmo que com erros leves, graves ou gravíssimos de português :D
Beijos!

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Analógica!

Faz tempo que não dou as caras por aqui, mas faz pouquíssimo tempo que inventei de comprar uma câmera analógica.... Mais que isso, uma La Sardina :)
Tudo começou porque quando fui à Paris (com DUAS câmeras digitais, uma pior do que a outra.) não consegui tirar muitas fotos boas à noite. Nem de dia, para ser sincera.
Ok, eu sei que as lomos não são o retrato da perfeição (ó o trocadilho), mas achei tão legal o lance de usar filme, esperar uma hora e meia para ver as ditas das fotos e sei lá, perder algumas pelo caminho; seja porque não saíram boas ou porque nem no filme elas estavam.
Eu iria me segurar até ano que vem para comprar a fofinha, mas acabei comprando mês passado mesmo. Meu prédio em Porto Alegre não tem porteiro, então preferi que entregassem em Petrópolis, até porque eu fui até lá para votar no segundo turno. NÃO ME PERGUNTEM O MOTIVO! Ele até existe e é bem bom, mas foi melhor ainda poder ficar em casa, na minha caminha, com minha mãe, meu pai, o barzinho da Bohemia :)
Tirei mais de 36 fotos. No começo o filme não rodava então algumas foram perdidas. Das 36 poses, saíram apenas 19. Achei que seria daí para pior, porque tem gente que sabe muito mais de lomografia do que eu e ainda assim perderam várias fotos.
As minhas saíram com uma qualidade boa, apesar de que eu esquecia vááááárias vezes de ajustar o foco. E apesar de nos primeiros dias eu estar sem flash porque não achava a pilha para ele.
Mas ficaram boas mesmo assim.

A tal La Sardina

Mais de pertinho

O Pluto *-* Ele é tão fofo que preciava aparecer nesse post fofo :)

Quem não lembra desse filmes desse jeito?

Foto da foto! Tirei hoje quando estava voltando do Rio à Porto Alegre. Aqui até não parece mas foi a foto mais linda!

Mesma foto com flash!

Foto da foto! Aeroporto do Galeão hoje!

Foto da foto! Cortei alguém, mas achei a qualidade boa!

Bar da Bohemia em Petrópolis. Estava super escuro e ainda não tinha a pilha do flash.

Foto com o filtro vermelho no flash. Não ficou como eu gostaria mas não achei das piores.

Em Petrópolis ainda. Saiu com o reflexo que a digital deixou, mas a foto original ficou ótima.

Chegando no Rio de Janeiro. Saiu minha mão no vidro do carro mas curti. Tirei rápido porque um caminhão estava se aproximando.

A qualidade não ficou grandes coisas porque tirei foto da foto, mas pessoalmente, as fotos ficaram bem legais :) Pena ter perdido as que tirei com minha mãe :( Fica para a próxima :)

Beijoooos!

sábado, 21 de abril de 2012

Das minhas saudades...

É claro que meu coração tem espaço infinito para saudades... A saudade do mundo inteiro cabe nele. E sinto falta de muitas coisas, pessoas, lugares, épocas... E quase sempre lembro de algumas coisas que me fazem falta...
Minha intenção não é "me achar", ser chata, metida, nada disso... Na verdade, não tenho intenção alguma, apenas escrever, relembrar, e guardar isso tudo para o futuro... Sim, eu acredito que eu lerei isso tudo algum dia... E que a internet é o meio mais seguro de guardar informação... Isso não vem ao caso...
Enfim, não tenho intenção com isso. Pelo menos não com outras pessoas... Minha intenção é comigo mesma, então leia com o coração aberto ou não leia, simples. Embora eu tenha certeza que ninguém entre nesse blog agora.... Mas não custa lembrar :) De verdade, espero que minha experiência ajude alguém :)
Eu lembro dessa ocasião quase todo santo dia. Do nada. A lembrança simplesmente vem, brota, não sei.... É repentino, mas as vezes eu procuro ela também. É uma relação de procura, ora eu procuro, ora sou procurada. E gosto disso, apesar de apertar um pouco o coração.
Sempre fui apaixonada por Londres e em 2004 conheci essa cidade linda pela primeira vez. Alguns anos depois voltei e em mais um ano retornei. Dessa vez para algo maravilhoso: um intercâmbio. Sim, um intercâmbio. Lindo, maravilhoso, perfeito, indescritível!
Um mês! Era esse o tempo que eu tinha para conhecer tudo, todos os cheiros, sabores, lugares, ruas, casas, bairros, tudo. 30 dias contados. Os melhores 30 da minha vida.
Não fiquei com medo, receio, nada, estava feliz pois com 18 anos muitos ganham um carro. Eu não (e até hoje permanece), mas ganhei experiência de vida. Fiz 18 e uns 5 meses depois embarquei. Rio, Paris (escala), Roma. Precisava muito ver o Coliseu, e jogar outra moedinha na Fontana di Trevi, não custa E funciona. Depois mais uma rota: Roma, Paris, Londres. Confesso que deixar a Itália doeu um pouco mas eu não sabia o que me esperava.
Cheguei na casa da família que seria minha por um mês. Uns amores, um casal de senhores muito queridos. O único medo era: eles não vão me enteder! Eles não vão me entender! Eles não vão me entender! E o segundo medo: eu não vou entendê-los! Eu não vou entendê-los! EU NÃO VOU ENTENDÊ-LOS! Mas não. Eles me entendiam e eu os entendia. Perfeito.
Segunda feira eu faria o teste de nivelamento na escola. Peguei o trem que dava uma viagem de uns 15 ou 20 minutos e chegava na Victoria Station (MIND THE GAP, MIND THE GAP). Nos dois primeiros dias me perdi no caminho porque as ruas são exatamente iguais, juro!
Minha turma era ótima, composta por: 5 brasileiros (comigo), 1 belga, 2 suiços, 1 francês (retardatário), 1 espanhola e 1 colombiano. Sem comentários sobre a quantidade de brasileiros. Estamos dominando o mundo, ué. Mas não posso esquecer da minha amiga russa que, infelizmente, não ficou na minha turma e das minhas vizinhas brasileiras (uma vizinha de frente e outra de esquina). Ah, das raposas também. Conhecemos as três raposas na primeira semana quando estávamos voltando de uma balada (ainda não cheguei nessa parte importante). TRÊS raposas... E os selvagens somos nós. Nunca dei de cara com uma raposa quando estava voltando para casa....
Mas as baladas.... Ótimas. E com carpete.... Não sei como é feita a limpeza (me entendem ne?) mas um luxo o tal do carpete, e não estraga o sapato :) Todas as baladchenhas foram ótimas, mas a última... Ah, a última... MARAVILHOSA. Bebidas caras, mas música boa, e minha amigas queridas. E era a última, ou seja, eu precisava aproveitar.... Os detalhes serão resumidos porque balada é balada, certo?
Resumindo....
Triste mesmo foi a volta. Horrível. Mas sei que um pedaço dessa experiência veio comigo e está até hoje e um pedaço meu ficou lá, dando voltas pela London Bridge, London Eye, Big Ben, Underground... E sei que um dia quando voltar vamos todos nos encontrar. O que dói não é voltar ao Brasil (ok, um pouco...), é saber que mesmo quando for à Londres outra vez não será nem um pouco parecido.... Mas ficam as lembranças e o sentimento bom de que valeu a pena, por isso essa saudade é boa, faz bem, e por incrível que pareça, acalma (as vezes). Além das amizades que não são como antigamente (as pessoas precisam trabalhar, estudar e acabam ficando sem tempo para a internet) mas basta um recado para saber que nada mudou, está apenas recolhido, dormindo um pouco e acordando as vezes. E as lembranças de tantos lugares que conheci e as coisas que aprendi. Todo mundo precisa disso, não precisa ser na Europa, Estados Unidos... É sair de casa por uma semana e se propor a aprender tudo o que a vida tem para ensinar.
Foto típica nas grades do Museu Britânico.
Vendo algumas fotos (não consegui todas, são muitas) a gente lembra também do que não estava tão fresco na memória. E vem a história da situação, desde a manhã até o fim. Fotos são tão maravilhosas quanto as viagens.

De algumas cidades que visitei nesse período, conheci Cambridge... Quem sabe um dia não estudo lá? Hahaha.
Hitchcock @Madame Tussauds
Fonte em homenagem à Princesa Diana
Última janta... :(
Neeeem chorei :(
Feito no tal do GIMP... Por mim ;)
Um ótimo resumo para quem não quer ler tanto... Exagerei mesmo:
Fiquei lembrando daquele julho chuvoso, como todo verão inglês... Das pessoas que vi, que conheci, das coisas que fiz, dos ônibus que andei, lembrei de "mind the gap", do que aprendi, do que me arrependi (de não ter feito) e lembrei, especialmente, da saudade que deixou. Do meu pedaço que ficou e do pedaço que eu trouxe. Da despedida doída, da família querida, e da chuva que me deu boas vindas e também me deu adeus. A última lembrança disso tudo, acredite, foi a Torre Eiffel iluminada e vista de cima do avião Air France de volta ao Brasil... E apesar do tempo, a saudade é tão viva que sinto falta de tudo isso... Ainda!

Beijos chuvosos!

domingo, 18 de março de 2012

Já que tô sem nada pra fazer...

Alguém ainda acessa isso???
Alguém vendo isso ou não quero guardar para a posteridade haha.
No início desse semestre, quando estava saindo de Petrópolis para vir à Porto Alegre, estava refletindo sobre as diversas vezes que eu havia feito isso e como os sentimentos mudam...
Em 2010 quando vim a primeira vez com minha mudança foi tão estranho mas logo me acostumei e ficou tããão bom. Era para eu ter desconfiado já que alegria de pobre dura pouco, mas curti os momentos, foi ótimo. É claro que chorei na véspera porque ia ficar com saudades do meu quarto, da minha casa e dos meus pais. Sim, eu quero a minha mããããe!!! :) Entretanto, foi ótimo, o melhor período em Porto. Conheci gente nova, estava (finalmente) na faculdade, novidades, e isso enche o coração de alegria.
Em julho desse mesmo ano foi tão ruim sair da capital, pegar um voo até o Rio que meu coração parecia que ia sair pela boca. HORRIVEL. E na volta foi essa mesma ladainha: aquela coisa de não quero ir mas também não quero voltar.
No final do ano (2010 ainda.... caaaaalma) foi uma experiencia diferente. Eu ja havia feito um intercâmbio para Londres, blablabla que tinha sido otimo, perfeito, maravilhoso. Porém, esse era para a Nova Zelândia... Tá, e daí? Bom, e daí que eu ficaria um mes nesse intercâmbio e apenas uma semana em casa e depois voltaria à Porto... Já foi outro sentimento...
Em julho do ano passado já dava uma alegria imensa quando o dia da viagem estava chegando. Era tão bom pensar que em breve estaria com minha mãe, meu pai, MEU QUARTO E AMADO E IDOLATRADO QUARTO.
Em resumo, hoje em dia bate uma saudade de Petrópolis, dos fins de semana com chuva vendo filme, dos meus amigos queridos, das pontes malditas que não caíram (e nao sei como), do supermercado horrivel perto de casa, dos cavalos maltradados, enfim... Bate aquela saudade que na hora da partida bate aquele arrependimento: o que eu fiz da minha vida?
Eu sei que é por uma boa causa (ou nao!), e que ser independente é muito bom mas a saudade faz parte. Já estou completamente adaptada à rotina mas bate aquela vontade doida de ficar mais perto de casa.
O que me conforta é que geograficamente estou longe, mas um voo até o Rio leva 2horas enquanto que um onibus até Santo Angelo/RS que é geograficamente mais perto da capital, leva umas 8horas.... Fora as promoções de passagens, e o fato de chegar inteira no aereporto, sem olheiras, pele oleosa, nada :)
Pra não ficar uma coisa muito sentimental, hoje estava ouvindo Juanes (sim, eu gosto de Juanes e você que curte Ivete Sangalo!) e essa música é tão fofa, mas tão fofa que PRECISEI colocá-la aqui :)
Desculpem os erros de portugues mas também estou sem vontade de corrigir.... Mesmo não tento mais nada de util/importante para fazer :)





sábado, 7 de janeiro de 2012

Dica de leitura

Olá!!! :)
Mas faz tempo que não posto nada aqui hein?
Pensei, pensei, pensei sobre algum assunto para postar e lembrei de um livro que estou lendo e amando: A Guerra dos Farrapos de Alcy Cheuiche. O nome é diferente e dificil de escrever (oi coordenação?) mas a obra é lindíssima.
Alcy José de Vargas Cheuiche nasceu em Pelotas em 21 de julho de 1940. Aos quatro anos de idade foi viver em Alegrete, sua terra adotiva, onde aprendeu a ler, escrever e amar vida do campo. Aos 18 anos, prestou vestibular em Porto Alegre na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Faculdade de Agronomia e Veterinária. Durante o curso, colaborou em jornais universitários com artigos, contos e poesias. Diplomado em primeiro lugar em sua turma, conquistou uma bolsa de estudos para Paris. Essa experiência universitária brasileira, que prolongou-se na Europa com três anos de cursos de pós-graduação na França e na Alemanha, é  muito visível em livros como O Gato e a Revolução  e O Mestiço de São Borja.
Já tive duas oportunidades de ouvi-lo declamar; a primeira em 2010 no CCEE e a segunda durante a Semana Farroupilha de Porto Alegre de 2011 e as duas foram emocionantes. Suas obras são limpas, delicadas, de uma sensibilidade maravilhosa.
Confesso que essa é a primeira obra que leio, mas desde que pude vê-lo declamar me encantei no primeiro instante. Mesmo não tendo nascido no Rio Grande do Sul tenho um amor enorme por essa terra e por isso recomendo a leitura desse livro. Ele me mostrou mais do que a historia da Revolução, mas o sentimento por trás dela.
Suas obras são:
Romances:
• O Gato e a Revolução
• Sepé Tiarajú – Romance dos Sete Povos das Missões
• O Mestiço de São Borja
• A Guerra dos Farrapos
• Ana Sem Terra
• Lord Baccarat
• A Mulher do Espelho
• Nos Céus de Paris – Romance da vida de Santos Dumont
• Jabal Lubnàn, as aventuras de um mascate libanês
• Sepé Tiarajú - Revista em quadrinhos
• Santos Dumont
• João Candido – O Almirante Negro
Crônica:
• O Planeta Azul – Esgotado
• Na Garupa de Chronos
 Infanto Juvenil:
• A Caturrita Americana
• O ventríloquo

E a poesia mais conhecida (e triste) de todo o Rio Grande:
Que diacho! Eu gostava do meu cusco
 Alcy Cheuiche
Entendo. Envelheci entendendo.
Bicho não tem alma, eu sei bem,
mas será que vivente tem?

Que diacho! Eu gostava do meu cusco.
Era uma guaipeca amarelo,
baixinho, de perna torta,
que me seguiu num domingo,
de volta de umas carreira.

Eu andava meio abichornado,
bebendo mais que o costume,
essas coisa de rabicho, de ciúme,
vocês me entendem, ele entendeu.

Passei o dia bebendo
e ele ali no costado
me olhando de atravessado,
esperando por comida.

Nesse tempo era magrinho
que aparecia as costela.
Depois pegou mais estado
mas nunca foi de engordá.

Quando veio meu guisado,
dei quase tudo prá ele.
Um pouco, por pena dele,
e outro, que nesse dia,
só bebida eu engolia
por causa dos pensamento.

Já pela entrada do sol,
ainda pensando na moça
e nas miséria da vida,
toquei de volta prás casa
e vi que o cusco magrinho
vinha troteando pertinho,
com um jeito encabulado.

Volta prá casa, guaipeca!
Ralhei e ralhei com ele.
Parava um puco, fugia,
farejava qualquer coisa,
depois voltava prá mim.
O capataz não gostou,
na estância só tinha galgo,
mas o guaipeca ficou.

Botei o nome de sorro,
as crianças, de brinquinho,
mas o nome que pegou
foi de guaipeca amarelo.

Mas nome não é o que importa.
Bicho não tem alma, eu sei bem.
Mas será que vivente tem?

Ficou seis anos na estância.
Lidava com gado e ovelha
sempre atento e voluntário.
Se um boi ganhava no mato,
o guaipeca só voltava
depois de tirá prá fora.

E nunca mordeu ninguém!
Nem as índia da cozinha
que inticava com ele.
Nem ovelha, nem galinha,
nem quero-quero, avestruz.
Com lagarto, era o primeiro
e mesmo piquininho
corria mais do que um pardo.

E tudo ia tão bem...
Até que um dia azarado
o patrãozinho noivou
e trouxe a noiva prá estância.

Era no mês de janeiro,
os patrão tava na praia,
e veio um mundo de gente,
tudo em roupa diferente,
até colar, home usava,
e as moça meio pelada,
sem sê na hora do banho,
imagino lá no arroio,
o retoço da moçada.

Mas bueno, sou doutro tempo,
das trança e saia rodada,
até aí não tem nada,
que a gente respeita os branco,
olha e finge que não vê.
O pior foi o meu cusco,
que não entendeu, por bicho,
a distância que separa
um guaipeca de peão
da cachorrinha mimosa
da noiva do meu patrão.

Era quase de brinquedo
a cachorrinha da moça.
Baixinha, reboladera,
pêlo comprido e tratado,
andava só na coleira
e tinha medo de tudo,
por qualquer coisa acoava.

Meu cusco perdeu o entono
quando viu a cachorrinha.
E les juro que a bichinha
também gostou do meu baio.
Mas namoro, só de longe
que a cusca era mais cuidada
que touro de exposição.

Mas numa noite de lua,
foi mais forte a natureza.
A cadela tava alçada
e o guaipeca atrás dela
entrou por uma janela
e foi uma gritaria
quando encontraram os dois.

Achei graça na aventura,
até que chegou o mocito,
o filho do meu patrão,
e disse prá o Vitalício
que tinha fama de ruim:
Benefecia o guaipeca
prá que respeite as família!
Parecia até uma filha
que o cusco tinha abusado.

Perdão, le disse, o coitado
não entende dessas coisa.
Deixe qu'eu leve prá o posto
do fundo, com meu cumpadre,
depois que passá o verão.
Capa o cusco, Vitalício!
E tu, pega os teus pertence
e vai buscá teu cavalo.

Me deu uma raiva por dentro
de sê assim despachado
por um piazito mijado
e ainda usando colar.
Mas prometi aqui prá dentro:
mesmo filho do patrão,
no meu cusco ninguém toca.
Pego ele, vou m'embora
e acabou-se a função.

Que diacho! Eu gostava do meu cusco.
Bicho não tem alma, eu sei bem.
Mas será que vivente tem?

Campiei ele no galpão,
nos brete, pelas mangueira
e nada do desgraçado.
No fim, já meio cansado,
peguei o ruano velho
e fui buscá o meu cavalo.

Com o tordilho por diante,
vinha pensando na vida.
Posso entrá numa comparsa,
mesmo no fim das esquila.
Depois ajeito os apero
e busco colocação,
nem que seja de caseiro,
se nã me ajustam de peão.
E levo o cusco comigo
pois foi o único amigo
que nunca negou a mão.

Nisso, ouvi a gritaria
e os ganido do meu cusco
que era um grito de susto,
de medo, um grito de horror.
Toquei a espora no ruano
mas era tarde demais.
Tinham feito a judiaria
e o pobrezinho sangrava,
sangrava de fazê poça
e já chorava fraquinho.

Peguei o cusco no colo
e apertei o coração.
O sangue tava fugindo,
não tinha mais esperança.
O cusco foi se finando
e os meus olho chorando,
chorando como criança.

Que diacho! Eu gostava do meu cusco.
Bicho não tem alma, eu sei bem.
Mas será que vivente tem?
Nessa hora desgraçada
o tal mocito voltou
prá sabê pelo serviço.
Botei o cusco no chão,
passei a mão no facão
e dei uns grito com ele,
com ele e com o Vitalício!

Ele puxô do revólver
mas tava perto demais.
Antes que a bala saísse,
cortei ele prá matá.
Foi assim, bem direitinho.
Não tô aqui prá menti.
É verdade qu'eu fugi
mas depois me apresentei.
Me julgaram e condenaram
mas o pior que assassino,
foi dizerem que o motivo
era pouco prá o que fiz...

Que diacho! Eu gostava do meu cusco.
Bicho não tem alma, eu sei bem.
Mas será que vivente tem?

Essa dica vale para os petropolitanos de plantão que  não encontrarão nenhum livro (assim como eu não consegui nenhum livro de escritores gaúchos das leituras obrigatórias do vestibular da UFRGS em 2010... Paciência...) mas podem encomendar por mim ;) Vale MUITO a pena!!!!
Tudo isso eu retirei do site do próprio autor: http://www.alcycheuiche.com.br/index.htm que também vale a pena acompanhar para ver as notícias.
E uma foto do escritor para ilustrar (e porque eu adoro figurinhas também!)